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ALGUMAS NOTAS BIBLIOGRÁFICAS DO DOUTOR FERNANDE ANDRADE PIRES DE LIMA
Imprensa Nacional, Lisboa, 1886. In-8º de 2 volumes com XXVII-281-(1) & XII-313-(1) págs. respectivamente. Brochados em magnífico estado de conservação,com o miolo muito limpo e sem manchas, nem acidez. Ilustrado com 382 gravuras, grande parte em extra-texto e ainda 7 mapas desdobráveis a cores. As ilustrações representam persoangens célebres, vistas de cidades, paisagens, pormenores urbanos, costumes, arquitectura militar. Capas de brochura ilustradas. Peça de colecção.
Profusamente ilustrado e com mapas geográficos em extra texto coordenadas pelo próprio autor e litografadas na Imprensa Nacional em 1865, 1870 e 1871. Gravura do autor em corpo inteiro na página de anterrosto. Gravura alegórica da Sociedade de Geografia de Lisboa no final do segundo volume, indicando o futuro império luso-africano. Gravuras assinadas pelo próprio autor e por Pastor, Nenton, R. Christino, Alberto, Cazellas e outros. As gravuras reproduzem palácios, templos, residências particulares, a reunião da assembleias dos governos locais, os costumes e os dignatários locais, a flora local, a iconografia e os deuses do panteão indiano. A obra enquadra-se na divulgação das explorações cientificas coloniais patrocinadas pelo governo português e pela Sociedade de Geografia.
Do autor, diz-nos Inocêncio no seu tomo XX, p. 373 do Dicionário Bibliográfico que “...Antonio Lopes Mendes era natural de traz-os-montes, nasceu em 1834. Cursou os preparatórios no liceu de Vila Real, seguiu outros estudos superiores na Escola Politécnica do Porto e depois veio matricular-se em Lisboa no Instituto Agrícola, onde obteve o diploma de médico-veterinário-lavrador. Serviu por algum tempo como ajudante do professor de desenho do mesmo instituto. Em 1857 foi nomeado adjunto á comissão dos estudos agrícolas no continente e em Outubro 1859 recebeu a nomeação de administrador da coudelaria do Crato. Em 1862 assinou contrato no Conselho Ultramarino, para exercer as funções de veterinário-lavrador no Estado da Índia, para onde partiu a 11 de Agosto do mesmo ano, seguindo viagem pelo Mediterrâneo, e aportou a Goa em 1 de Outubro. Além dos trabalhos inerentes á sua profissão desempenhava muito bem, como se verá, diferentes comissões de serviço público do que faço menção á vista da exposição endereçada ao governo da metrópole em 1867, reclamando para que, quando atingisse os 16 anos de serviço do ultramar, lhe fosse concedida a graduação de capitão para gozar a reforma no posto imediato. Eis o que consta dessa exposição: em Outubro 1862 encarregado de inspeccionar, com um membro da Junta de Saúde, o trigo que as padarias consumiam no fabrico do pão para o consumo dos habitantes. Em Janeiro 1863 foi nomeado para a comissão incumbida do estudo das florestas nacionais da Índia Portuguesa e redigir o regulamento florestal em harmonia com as necessidades do país. Em Fevereiro 1865 foi nomeado vogal da comissão encarregada de coligir e coordenar os produtos agrícolas e industriais para serem enviados á exposição internacional de Paris; em Março 1865 foi nomeado vogal da comissão encarregada da demarcação dos terrenos de Satary, que tinham sido arrendados a colonos estrangeiros; em Dezembro 1865 recebeu o processo de aforamento pedido por Diogo Bernardo de Saldanha e outros, para informar, depois de pessoalmente examinar o terreno situado em Massaim de Bardez, se esse terreno podia ser concedido para construção de casas. Em Dezembro do mesmo ano foi encarregado, finalmente, da administração da 2.ª divisão e da presidência da comissão da demarcação dos terrenos de Satary, durante o impedimento do respectivo administrador fiscal. Além das comissões mencionadas Lopes Mendes desempenhou outras por encargo das autoridades civis e judiciais, com acceitação do governo geral e applauso das respectivas auctoridades e dos particulares, quando chamado para exercer a clínica veterinária, sem que recebesse remuneração alguma pelo seu trabalho médico. Foi procurador á Junta Geral do Districto pela 4.ª divisão das Novas Conquistas, exercendo as funções no respectivo biénio, eleito presidente do município na capital do estado, vogal substituto do conselho do governo, etc. Levantou, balizou, desenhou, as plantas topográficas das doze aldeias de Satary, assim como coordenou a carta topográfica da mesma província, adaptada a representar os terrenos arrendados a colonos estrangeiros, que ofereceu ao então governador geral conselheiro José Ferreira Pestana, para servir de guia na resolução das questões de limites suscitadas por nacionais ou por estrangeiros. Era sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa e de outras sociedades. Tem artigo biográfico de A. C. da Silva Matos no periódico política liberal. Faleceu a 31 de Janeiro 1894...”
Sobre a arquitectura militar, o autor diz "...Quasi todas as fortificações do Estado da India portugueza foram construidas em tempos anteriores á pratica dos principios de Vauban, e algumas até fabricadas incialmente pelos mouros. São cópias exactas , das que temos no reino, désses mesmos tempos, em posições similhantes, com seus baluartes apertadissimos e informes, e algumas ainda com as velhas torres, barbacans e couraças que os progressos da arte militar têem feito desapparecer..."